domingo, 28 de fevereiro de 2016

Expressão não verbal ajuda a diagnosticar a depressão

Pesquisa realizada na USP investigou um conjunto de parâmetros corporais que podem ser utilizados na caracterização e na avaliação do tratamento do transtorno (Mulher do povo, Pedro Lira (1910)/Wikimedia Commons)


José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Segundo projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão alcançará, na década de 2030, a primeira posição entre as doenças com maior prevalência no mundo. O transtorno já afeta cerca de 7% da população mundial, conforme informou o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, na abertura do seminário "The Global Crisis of Depression" (A Crise Global da Depressão), promovido pela revista The Economist no final de 2014. Contrastando com a imagem de euforia tantas vezes associada aos brasileiros, um estudo conduzido em 18 países, divulgado pela OMS em 2011, apontou o Brasil como aquele com maior número de pessoas afetadas pela enfermidade.

A alta incidência da doença no Brasil foi confirmada por levantamento mais recente, a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde (MS) em 2014. Segundo o estudo, cerca de 11 milhões de pessoas têm depressão no país.
Uma pesquisa, realizada no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário, ambos vinculados à Universidade de São Paulo (USP), investigou a expressão não verbal da depressão: “Indicadores de expressividade e processamento emocional na depressão”. O estudo, coordenado por Clarice Gorenstein, professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, teve oapoio da FAPESP .
A pesquisa contou com a participação da pós-doutoranda Juliana Teixeira Fiquer, também apoiada pela FAPESP .
“Geralmente, o diagnóstico da depressão e a avaliação dos resultados do tratamento são feitos mediante a aplicação de questionários-padrão. As respostas do entrevistado, juntamente com as observações do entrevistador, possibilitam definir o quadro e, depois, acompanhar a evolução da pessoa. Esse tipo de instrumento tem a vantagem de estabelecer uma linguagem comum, universal. Mas depende essencialmente daquilo que a pessoa fala. E negligencia um outro aspecto, o da comunicação não verbal, que é exatamente aquilo que a pessoa não fala. Nossa pesquisa teve por foco esse outro aspecto”, disse Gorenstein à Agência FAPESP.
Parâmetros corporais
A expressão não verbal, que diz “aquilo que a pessoa não fala”, é definida por um amplo conjunto de parâmetros corporais, como postura de ombros e cabeça; movimentos de cabeça, gerais ou de concordância/discordância; curvatura da boca; sorriso (simétrico ou assimétrico), movimentações de sobrancelhas (testa franzida; levantar de sobrancelhas); contato ocular; corpo inclinado na direção do entrevistador, silêncio, choro, entre outros.
“Esses parâmetros podem ser observados de maneira genérica ou de modo sistemático. Nossa pesquisa buscou exatamente definir uma metodologia de observação sistemática – algo sobre o qual havia muito pouco estudo, principalmente no Brasil”, comentou a pesquisadora.
A pesquisa investigou 100 pessoas já diagnosticadas com depressão (grupo-depressão) e 83 pessoas que sabidamente não tinham depressão (grupo-controle). Cada pessoa, com ou sem depressão, passou por entrevista durante 15 minutos, ao longo dos quais seu comportamento foi filmado. Uma sequência de cinco minutos de cada filmagem foi posteriormente analisada por dois avaliadores “cegos” – isto é, que não sabiam se a pessoa filmada era integrante do grupo-depressão ou do grupo-controle. Os avaliadores deviam considerar, em cinco minutos de filme analisado, a frequência de manifestação dos parâmetros não verbais mencionados. “Para analisar cinco minutos de filme, cada avaliador precisou em média de uma hora de trabalho”, informou Gorenstein.
“Percebemos uma diferença significativa no comportamento dos dois grupos em relação a esses parâmetros. Considerando apenas alguns exemplos, em uma escala de pontuação de 0 a 10, foram obtidos os seguintes resultados: sorrisos, 2,3 para o grupo-controle e 1,0 para o grupo-depressão; contato ocular, 8,4 e 6,8. Já os escores do grupo-depressão foram maiores do que os do grupo-controle em relação às variáveis choro (0,8 e 0) e cabeça curvada para baixo (1,8 e 0,7)”, prosseguiu.
A expressão não verbal pode confirmar ou desmentir a expressão verbal. Daí o interesse em incorporá-la ao processo de diagnóstico e avaliação. “A comunicação não verbal é uma resposta reflexa. E, a menos que haja da parte do entrevistado uma determinação e uma capacidade muito fortes de controlar a linguagem do corpo, esta tenderá a expressar aquilo que não é exposto na fala, que não passa pelo crivo da fala. Principalmente no contexto clínico, a pessoa pode querer mostrar uma melhora, que efetivamente não teve, ou pode tentar esconder uma melhora, com medo de perder o atendimento. A comunicação não verbal ajudará o avaliador a formar um quadro mais realista”, argumentou Gorenstein.
Anamneses psiquiátricas
Além da avaliação dos parâmetros não verbais, os pesquisadores aplicaram também os questionários-padrão usualmente utilizados nas anamneses psiquiátricas. Esses questionários, baseados na expressão verbal, elegem alguns tópicos, como tristeza, pessimismo, perda de interesse, culpa, choro etc., e, para cada tópico, oferecem ao entrevistado um leque de opções. Por exemplo, para o tópico “tristeza”, há uma escala que vai de “eu não me sinto triste” até “eu me sinto tão triste que não posso aguentar”. Quando todos os dados foram reunidos em histogramas, a diferença entre o grupo-depressão e o grupo-controle tornou-se muito evidente.
Depois da entrevista inicial, os indivíduos do grupo-depressão receberam tratamento antidepressivo farmacológico, com a administração de cloridrato de sertralina, um inibidor da recaptação da serotonina, entre outros procedimentos terapêuticos. “No grupo-depressão, como regra, o tratamento fez aumentar a expressividade facial, a expressividade do tom de voz, a inclinação do corpo na direção do entrevistador e alguns outros parâmetros sugestivos de interesse social e afetos positivos”, afirmou Gorenstein.
Uma possível aplicação da pesquisa é oferecer aos profissionais envolvidos no atendimento à saúde critérios não verbais para a definição de diagnósticos. No Brasil, 50% das queixas inespecíficas na procura de atendimento na atenção básica são na realidade casos de transtorno depressivo ou de ansiedade. Um clínico atento à expressão não verbal da depressão pode indicar uma investigação mais profunda quando for o caso. Outra aplicação é aferir a eficácia de determinados tratamentos na melhoria do quadro depressivo.
Comportamentos observados:  
Comportamentos sugestivos de interesse social e afetos positivos
Comportamentos sugestivos de desinteresse social, isolamento, afetos negativos
Corpo para frente (na direção do entrevistador)
Ombro baixo/encolhido
Cabeça inclinada para a lateral
Cabeça curvada para baixo
Cabeça inclinada para cima
Braço cruzado
Movimento afirmativo de cabeça (Fazer “sim” com a cabeça)
Movimento negativo de cabeça (Fazer “não” com a cabeça)
Gestos ilustradores - movimentos com as mãos para ilustrar o que é dito
Gestos adaptadores - Movimentos com as mãos de automanipulação ou manipulação de objetos, sem função clara.
Contato ocular com o entrevistador
Boca curvada para baixo
Verbal-backchannel - vocalizações de interesse e concordância mediante a fala do entrevistador (ex.”hum – hum”)
Boca apertada/achatada
Sorriso simétrico, considerado associado a emoções positivas genuínas
Sorriso com a boca “torta” (assimétrico), considerado ambivalente, associado a emoções também negativas, como “estar sem graça”.
Rir/ dar gargalhada
Chorar
Levantar sobrancelhas
Franzir a testa
Falar
Ficar em silêncio

Agenda Brasil: projeto amplia medidas de combate ao fumo

   
Tércio Ribas Torres 

As medidas de combate ao tabagismo poderão ser ampliadas. Esse é o teor do Projeto de Lei do Senado (PLS)769/2015, que está na pauta da Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional (CEDN), responsável pela análise dos projetos da Agenda Brasil — pauta apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, com o objetivo de incentivar a retomada do crescimento econômico do país. A comissão reúne-se na quarta-feira (24), às 14h30, para apreciar este e outros 11 projetos.
Do senador José Serra (PSDB-SP), o projeto altera a Lei 9.294/1996, para estabelecer a proibição de qualquer forma de propaganda, publicidade, promoção ou patrocínio de produtos fumígenos também nos locais de venda. O texto também estabelece a obrigatoriedade de que as embalagens dos cigarros sejam padronizadas, mantendo as advertências quanto aos riscos e prejuízos do fumo, conforme regulamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Pelo projeto, fica proibido o uso de substâncias sintéticas e naturais que possam intensificar, modificar ou realçar sabor ou aroma de cigarros ou outros produtos fumígenos. O texto ainda estabelece a punição, com multa e pontos na carteira, do motorista que fumar ou permitir que passageiro fume em veículo que esteja transportando menores de 18 anos. A infração será considerada gravíssima.
A matéria conta com o apoio do relator, senador Otto Alencar (PSD-BA), que fez apenas ajustes de “técnica legislativa” em seu relatório. Como tramita em caráter terminativo, a matéria seguirá direto para a análise da Câmara dos Deputados, em caso de aprovação.

Avanço

Otto Alencar, que é presidente da comissão, lembra que o Brasil já “avançou significativamente” em relação às medidas de combate ao fumo. No entanto, diz o relator, é preciso dar continuidade a essas políticas antitabagistas, de modo a reduzir ainda mais o uso de “produtos fumígenos, que tantos males têm causado à população em razão de serem extremamente prejudiciais à saúde”.
Serra informa, na justificativa do projeto, que o Brasil tinha, em 1989, cerca de 35% de fumantes na população adulta. Em 2013, esse percentual foi reduzido para 14,7%. Serra acrescenta que a importância dessa redução no número de fumantes não se resume à melhoria na qualidade de vida de quem abandona o cigarro — ou de quem deixa de se iniciar no tabagismo. Os custos relacionados ao uso do cigarro, segundo o senador, “são astronômicos”.
Com base em uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 2015, Serra afirma que as despesas diretas com a saúde dos fumantes — como custos de medicação, internação e ambulatório, entre outras — são hoje de R$ 23 bilhões ao ano. Não estão considerados os custos indiretos, como as mortes prematuras, as aposentadorias precoces ou o absenteísmo relacionado a essas doenças. Serra ainda registra que as receitas de tributação dos cigarros, porém, não chegam perto desses custos. A arrecadação de IPI em 2014 foi de 5,6 bilhões. O total de impostos, considerando também o ICMS, chegou próximo de R$ 11 bilhões.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado
)

quarta-feira, 5 de março de 2014

Brasil é ponto de partida de cocaína, segundo relatório

Revista Exame

Relatório da ONU, divulgado nesta terça-feira, alerta sobre o aumento do consumo interno de cocaína que é mais de 4 vezes superior à média mundial
Cocaína
Cocaína:  acesso fácil ao Atlântico facilita transporte cocaína até a África Ocidental
Viena – O Brasil é o ponto de partida de cargas de cocaína para Europa, via África, e a outros mercados, conforme um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira, que alerta sobre o aumento do consumo interno dessa substância.
‘O Brasil, com suas vastas fronteiras terrestres com os três principais países produtores de coca e seu extenso litoral, além de ser o país de destino de grandes quantidades de cocaína, oferece acesso fácil ao Atlântico para transportar cocaína até a África Ocidental e, dali, à Europa’, afirma o relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife).
Como exemplo da globalização do mercado da cocaína e de até aonde chegam as cargas que partem do Brasil, a Jife explica que em anos passados no Iêmen se expropriaram 115 quilos de cocaína em um contêiner de lixo e no Líbano foram confiscados 13 quilos da droga em um avião que vinha do Brasil.
Os analistas ressaltam também que a taxa de prevalência do consumo de cocaína entre adultos em 2011 era de 1,75%, mais de quatro vezes superior à média mundial, de 0,4%, e que foi aumentando nos últimos anos.
Já sobre as drogas sintéticas, a Jife destaca que nos últimos anos aumentaram as apreensões de substâncias como ecstasy e anfetaminas, o que pode ser um indício do aumento do consumo.
‘Segundo o governo do Brasil, no país não são fabricadas drogas sintéticas. Estas são introduzidas ilicitamente no Brasil a partir da Europa, em algumas ocasiões em troca de cocaína’, afirma o relatório.
Em 2011, o Brasil informou uma das maiores apreensões de ecstasy dos últimos 20 anos, com 70 quilos, quando em anos anteriores os volumes eram inferiores a um quilo, segundo a Jife. Em 2012, a polícia expropriou 339 mil comprimidos de ecstasy, 10 mil unidades de anfetaminas e 65 mil alucinógenos, especialmente LSD, especifica o documento.
Já a maconha, a Junta destaca que em 2012, ‘a apreensão de erva diminuiu consideravelmente, de 174 toneladas em 2011 para somente 11,2 toneladas’. O relatório lembra que maconha é a droga mais popular na América do Sul, com 14,9 milhões de consumidores, e alerta da ‘baixa percepção do risco’ que os jovens têm sobre o uso.
No caso do Brasil, a Jife não oferece dados específicos, mas destaca que ‘a prevalência do uso indevido da maconha aumentou visivelmente na região nos últimos anos, especialmente no Brasil’.

ONU condena legalização da maconha nos EUA


Jornal O Estado de S. Paulo
Agência Estado

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A agência de fiscalização de drogas da Nações Unidas declarou que a legalização da maconha nos Estados Unidos, nos estados do Colorado e Washington, é uma ameaça à luta internacional contra os abusos de drogas.

 Em um relatório publicado nessa terça-feira, o Conselho Internacional de Controle de Narcóticos informou que “lamenta profundamente” os avanços dos dois estados norte-americanos no sentido de eliminar as restrições de comercialização e uso da maconha.
O conselho disse que a legalização viola as convenções de controle de drogas e chamou as autoridades nacionais a bloquearem os avanços dos estados. O departamento de Justiça dos Estados Unidos deixou claro de que não irá impedir as decisões dos estados, apesar da lei federal ainda proibir o consumo de maconha.
Fonte: Associated Press.

Magno Malta viaja o Brasil para lutar contra a regulação do uso da maconha

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Na próxima sexta-feira, ele estará em Roraima e Manaus e no sábado no Acre e Rondônia participando de debates públicos sobre a tramitação da lei que regulamente o uso recreativo e medicinal da maconha no Brasil
Em reportagem publicada no jornal o Globo, edição de domingo, senador Magno Malta (PR/ES) disse categoricamente que só vota para aprovar a “legalização” da maconha quem nunca viu a dor ou as lágrimas de uma mãe diante do drama de um filho drogado. Na próxima sexta-feira, ele estará em Roraima e Manaus e no sábado no Acre e Rondônia participando de debates públicos sobre a tramitação da lei que regulamente o uso recreativo e medicinal da maconha no Brasil.
Depois da recente experiência no Uruguai, O Congresso Nacional vai mesmo abraçar o debate e a votação de uma lei que regulamente o uso recreativo e medicinal da maconha no Brasil. O tema é tabu, provoca desconforto quando é abordado, mas os senadores, provocados por proposta de iniciativa popular, mostraram-se dispostos a abrir espaço para que o debate seja feito. A votação, que tem o senador Magno Malta como a maior voz contrária, ainda este ano, no entanto, é descartada já de cara, pois precisa de um grande debate nacional.
Na entrevista ao Globo, Senador Magno Malta afirmou em tom firme que continuará, mesmo com a nova tramitação do projeto de lei de iniciativa popular que trata da legalização do plantio doméstico de maconha e do comércio em locais licenciados, sendo a mais alta voz do Brasil contra qualquer lei que permita o uso de maconha no país. “vou defender os jovens, as famílias e minha pátria contra os malefícios das drogas. Sou o arauto desta guerra”, afirmou Malta.
O projeto de lei foi proposto por meio do portal   e-cidadania do Senado, onde qualquer pessoa pode fazer proposições legislativas, e recebeu mais de 20 mil assinaturas eletrônicas de apoio. Com isso, a proposta seguiu para a Comissão de Direitos Humanos para começar a tramitar. “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é hoje o arauto em defesa da maconha, eu serei o contrário, uma voz firme, um arauto do bem, da família e da sociedade contra a legalização das drogas que jogam os jovens na vala.”Repudiou Magno Malta.
Senador Magno Malta (PR/ES), após o feriado, no próximo dia 7, vai para Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia para lutar contra a legalização da maconha no Brasil, explicar a importância da redução da maioridade penal para acabar com a impunidade e mostrará os reflexos positivos da atuação da Frente Parlamentar Mista Permanente em Defesa da Família Brasileira.
Senador Magno Malta já havia prometido viajar por todo o Brasil para defender suas bandeiras humanitárias, principalmente no tocante ao fim da impunidade para diminuir a violência urbana, que tira o sono do brasileiro. Assim, na próxima sexta-feira, às 8 horas da manhã, chega a Boa Vista, Roraima para uma palestra na Câmara dos Vereadores. “No extremo no País, perto da fronteira, vai ser fácil explicar o grave problema da legalização das drogas. O povo lá sabe que armas, cocaína, maconha e outros produtos entram fáceis pela extensa fronteira e com a legalização vai ficar mais fácil. Por isso fui convidado para iniciar minha caravana no mais longe e crítico Estado que sofre com a total falta de segurança”, explicou o senador, que também fará palestra em Manaus, Acre e Rondônia em uma verdadeira luta contra drogas e a violência.

Dando as mãos na batalha contra a dependência química


Lucas Prates/Hoje em Dia
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Ex-internos, depois de receberem alta, passam a ministrar oficinas para dependentes
 
 Izabela Ventura - Hoje em Dia

Reconhecer o vício, procurar e aceitar o tratamento são desafios árduos aos dependentes químicos. Instituições de apoio como a Associação Mineira de Pais e Amigos para Prevenção e Recuperação do Abuso de Drogas (Ampare) são importantes nesse processo, mas as famílias têm papel crucial na recuperação. Elas devem despertar no usuário de drogas a real necessidade de buscar auxílio profissional.
Mais do que um simples desejo de melhorar, alcoólatras e toxicômanos precisam descobrir, na prática, por que precisam do tratamento. E é muito raro que consigam isso sozinhos, segundo Cristiana Abreu Souza, psicóloga e coordenadora clínica da Ampare.
 
Ela diz que o primeiro passo para despertar a aceitação do dependente é a família procurar orientação. Depois, aprender a deixar o parente sentir na pele as consequências da doença, parando de protegê-lo ao extremo. “Vemos famílias que até pagam as dívidas do usuário com traficantes. Mas elas não podem ser superprotetoras, ou seja, co-dependentes. Às vezes, os demais membros estão tão doentes quanto o dependente”, alerta Cristiana.
 
Sem ameaças
 
Mas é claro que todos devem acompanhar de perto e dosar esse processo, sem usar o método para chantagear ou ameaçar o paciente. A proposta é que a família se fortaleça e posicione-se de forma funcional.
 
“Na medida em que a pessoa desrespeite as regras, perca a honestidade e o respeito, deve sentir as consequências desse comportamento. A família não tem que tolerar todas as atitudes do dependente, e pode intervir”, esclarece a psicóloga.
 
Sob controle
 
Foi o que fez a irmã de B.S.O., de 55 anos, que há seis anos conseguiu controlar o vício em álcool. Alcoólatra desde os 15 anos, ela começou o tratamento tardiamente (aos 49 anos) porque achava que a bebida não atrapalhava as atividades como empresária. A ironia é que um dos empreendimentos dela era um bar. “Eu chegava todo dia para trabalhar e escolhia o que ia beber”, contou.
 
Até que a irmã percebeu que a situação estava insuportável para ambas, e conduziu-a ao tratamento na Ampare. “Eles nos ajudam a fazer uma retrospectiva da nossa vida, do que nos levou àquele ponto e nos fazem perceber o mal que o vício nos causou”.
 
Atualmente, B. está recuperada. Ministra uma oficina de artesanato para dependentes químicos em tratamento na Ampare, frequenta academia, cinemas, teatros e viaja na companhia da irmã.

Estudo da EERP traça perfil de dependente químico em Ribeirão Preto


Marcela Baggini / Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto
 
Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP com usuários dependentes de crack ou cocaína revela que o simples fato de ver pessoas consumindo álcool ou outras drogas pode favorecer a recaída. O estudo foi realizado no primeiro semestre de 2012 com pessoas que buscam tratamento no Centro de Atenção Psicossocial a álcool e drogas (CAPSad) de Ribeirão Preto e traz resultados que podem subsidiar as ações dos profissionais de saúde que realizam atendimentos e contribuir para uma assistência de qualidade e mais efetiva.
Foram entrevistadas 95 pessoas por meio de questionários sobre o padrão de consumo do crack e cocaína; a gravidade do problema em relação ao uso dessas drogas, bem como o uso do álcool e suas consequências para o organismo; família; trabalho e justiça. Com base nas respostas, a enfermeira Josélia Benedita Carneiro Domingues Rocci, a autora da pesquisa, conseguiu traçar o perfil do usuário dessas drogas que chegam para tratamento no CAPSad de Ribeirão Preto.
A professora Sandra Cristina Pillon, orientadora da tese de doutorado de Josélia, afirma que esse é um dos primeiros trabalhos desenvolvidos na EERP sobre o tema. “Ainda são poucos os estudos para avaliar este perfil, frente ao grande número de usuários de crack que tem buscado por tratamento”, conta.
Segundo Josélia, muitas vezes os usuários de drogas chegam às unidades de saúde com comportamento agressivo e desorientados devido ao uso da substância. Nesses casos, os pacientes precisam de cuidados que vão além de medicamentos. “Não é todo profissional que está capacitado para fazer uma abordagem específica ao dependente e iniciar o tratamento imediatamente, ou encaminhá-lo a um tratamento especializado. Às vezes, o profissional atende e considera-o apenas como mais um usuário ou um bêbado”, afirma. Ela ressalta ainda a importância de se conhecer o perfil destes usuários, bem como os problemas que essas drogas têm gerado na vida desses pacientes, para melhorar o atendimento realizado e evitar consequências futuras.

O perfil do usuário

O estudo mostrou que 58,2% dos atendidos eram usuários de crack e 44,2%, de cocaína. “A maioria era homem adulto-jovem, solteiro, com baixo nível de escolaridade, católico, branco e com trabalhos informais. Porém, é importante salientar que os usuários dessas drogas têm suas particularidades.”
Os usuários de crack, em sua maioria, têm de 30 a 49 anos, baixo nível de escolaridade, são evangélicos e estão fora do mercado de trabalho. “Devido à busca constante pela droga, eles não querem trabalhos que paguem depois de 15 dias ou um mês. Eles querem receber pelo serviço no mesmo dia.”
Já os usuários de cocaína são mais jovens, têm entre 18 e 29 anos, possuem ensino médio completo ou incompleto, são católicos e não possuem nenhum vínculo empregatício. A maioria busca tratamento por iniciativa própria ou de seus familiares. “A família não consegue lidar com essa situação e os colocam para fora de casa. Uns ficam debaixo de pontes, outros em casas abandonadas, sempre sem nenhum recurso, o que agrava o estado de saúde.”
O trabalho aponta também que a maioria dos pacientes é branca. “Geralmente, as pessoas acreditam que os usuários de drogas são negros e pardos. Nós estamos mostrando que, para o crack e a cocaína não existem etnias; qualquer um está sujeito.”
Os resultados também apontam que a maioria dos pacientes, principalmente os viciados em cocaína, contam com apoio familiar, o que os motivou a buscar ajuda após chegarem à situação de busca compulsiva pela droga. Por outro lado, entre os usuários de crack, foram detectados maiores problemas familiares.
“Eu sou contra a internação destas pessoas. Elas devem viver na sociedade e não excluídas”, defende Josélia, baseada nos resultados de sua pesquisa, que apontaram como principal causa da recaída a falta de suporte familiar. “Quando eu perguntei se já tentaram parar de beber ou usar drogas, disseram que não conseguiam porque, em casa, havia alguém que bebia ou era usuário de drogas.”

Como melhorar a assistência

Como respaldo aos profissionais da saúde pública, a pesquisa traz, após análise de aspectos de saúde e vida social, peculiaridades dos usuários de crack e cocaína. Além disso, as relações entre aspectos biopsicossociais e o uso dessas drogas também foram ressaltados. “Os resultados permitem afirmar que, apesar das diferenças pontuadas, os pacientes em tratamento e seus familiares requerem uma assistência diferenciada direcionada as suas necessidades específicas”, afirma a orientadora.
Segundo Josélia, o atendimento dado a essas pessoas só vai melhorar caso os profissionais da saúde conheçam melhor suas necessidades e a família receba maior suporte para auxiliar os dependentes.  “Não se trabalha só com o dependente, mas com a família também”, afirma, concluindo que “o serviço de saúde, na maioria das vezes, não está equipado tanto com recursos técnicos ou com recursos humanos.”
Mais informações: email joselia.rocci@hotmail.com

Mistura de drogas e sedativo matou Philip Seymour Hoffman

Ator utilizou heroína, cocaína, anfetamina e sedativo ao mesmo tempo. Overdose acidental provocou morte, segundo legistas


Ator Philip Seymour Hoffman durante uma exibição do filme 'Jogos Vorazes: Em Chamas'
Ator Philip Seymour Hoffman durante uma exibição do filme 'Jogos Vorazes: Em Chamas' - Stephen Lovekin/Getty Images

O ator Philip Seymour Hoffman morreu devido a uma intoxicação por mistura de drogas, incluindo heroína, cocaína, anfetamina e o sedativo e relaxante muscular benzodiazepina. O relatório, divulgado nesta sexta-feira por autoridades da cidade de Nova York, foi publicado no site Entertainment News. Segundo o escritório legista de Nova York, a morte foi considerada acidental.
Hoffman foi encontrado morto no banheiro de seu apartamento, em Manhattan, com uma seringa espetada em seu braço. Durante as investigações, as autoridades encontraram cerca de 50 pacotes de heroína no local.

Hoffman deu entrada em uma clínica de reabilitação no ano passado, após passar mais de duas décadas sóbrio. Segundo amigos que falaram com o site TMZ, o ator assumiu, no fim do ano passado, que havia voltado a usar heroína e pretendia ficar alguns dias sem a droga, porém já planejava voltar ao vício depois do breve período de abstinência, pois não conseguia parar.
Durante as últimas semanas de vida, Hoffman mostrava um comportamento alterado e aparência suja. Quando um dos amigos perguntou a ele sobre a gravidade da situação, o ator respondeu: “Se eu não parar, eu sei que vou morrer.”

Biografia – Nascido em 23 de julho de 1967, o ator de cinema e teatro e diretor Philip Seymour Hoffman se graduou na Escola da Artes da Universidade de Nova York, em 1989, e fez sua estreia no cinema no filme Triple Bogey on a Par Five Hole, em 1991.
Ao longo de mais de vinte anos de carreira, Hoffman se tornou um ícone dentro do cinema independente, com produções de baixo orçamento e diretores autorais. Sua reputação se consolidou com Boogie Nights: Prazer Sem Limites, de 1997, no papel do técnico de som gay Scotty J., que se apaixona por Dirk Diggler, personagem de Mark Wahlberg.
Sua filmografia também conta com títulos como Patch Adams - O Amor é Contagioso (1998), ao lado de Robin Williams; Ninguém é Perfeito (1999), com Robert De Niro; O Talentoso Ripley (1999), com Matt Damon e Gwyneth Paltrow; Magnólia (1999) e Quase Famosos (2000).
Em 2005, ele deixou os papeis de coadjuvante em filmes com grandes elencos, para se tornar o protagonista em Capote. O voto de confiança do diretor Bennett Miller deu a Hoffman seu primeiro e único Oscar na categoria de melhor ator. Após o triunfo no prêmio da Academia de Hollywood, ele conquistou mais três indicações na categoria de ator coadjuvante. Em 2008, pelo longa Jogos do Poder; em 2009, por Dúvida; e em 2013, por O Mestre.
Sua última atuação foi na trilogia Jogos Vorazes, trabalho que destoa de suas escolhas anteriores, mas que mostra sua capacidade de fazer boas atuações nos mais variados estilos.

Do auge à queda: Jardel abre o jogo sobre depressão, drogas e recomeço

Após parar de jogar profissionalmente, ídolo do Grêmio tenta se reerguer no futebol amador e encontra na torcida do Tricolor gaúcho a motivação para continuar lutando

Por Rio de Janeiro

Ele é o único brasileiro com duas Chuteiras de Ouro, prêmio concedido aos maiores artilheiros da Europa. Jogou em dez países: Brasil, Espanha, Inglaterra, Argentina, Turquia, França, Chipre, Austrália, Bulgária e Portugal, onde foi ídolo de duas torcidas, a do Porto e a do Sporting. Herói do Grêmio e um dos cinco maiores goleadores da Libertadores, também vestiu a camisa da Seleção 11 vezes. A história vitoriosa nos gramados poderia ser de fama e fortuna fora dele, mas Mario Jardel Almeida Ribeiro, hoje com 40 anos, segue a carreira na pequena cidade de Ibirubá, no interior do Rio Grande do Sul. Lá ele veste a camisa do clube amador Vila Nova. E reconta para o Esporte Espetacular a trajetória que o levou do auge ao abismo.
Nascido em Fortaleza, Jardel começou no Vasco da Gama. A conquista do carioca de 1993, como reserva, foi seu primeiro título como profissional. Em 1995, foi emprestado ao Grêmio para reforçar o elenco na Libertadores, da qual acabou se tornando artilheiro com 12 gols. Em 1996 transferiu-se para o Porto, depois passou por outros clubes até retornar ao Brasil em 2004, para o Palmeiras. Voltou ao exterior, onde passou por um período de condicionamento físico bastante irregular, o que resultou em uma extensa lista de trocas de clubes. 
Jardel diz que a depressão o levou ao uso de drogas (Foto: Reprodução)Jardel afirma que a depressão o levou ao uso de drogas (Foto: Reprodução)

Em 2008, Jardel abriu o jogo para o Esporte Espetacular e revelou o uso de cocaína podia ser o motivo da perda da forma física. Até hoje, ele tenta se reerguer. A meta é encerrar a carreira em um clube profissional, e aproximar-se do Grêmio e de Porto Alegre faz com que Jardel não se sinta sozinho. Confira a seguir trechos da entrevista com o atacante.
Agora eu tenho que dar a volta por cima e provar, primeiro para mim mesmo, que eu consigo. Isso é muito importante. É matar um leão todos os dias para dizer: não, não e não".
Jardel
Depressão e drogas 
Eu não usava drogas todos os dias, era uma vez ou outra. Conheço muitos jogadores que usam e não assumem. Eu assumi, não tenho vergonha. Em todas as profissões existe essa praga que entra nas famílias e estraga tudo. Graças a Deus eu estou feliz por ter isolado muitas pessoas negativas que me influenciavam. Sem dúvida nenhuma, a depressão me levou para as drogas. Era um momento em que eu precisava, pois achava que podia tudo, que não ia acontecer nada comigo, e depois comecei a me sentir mal comigo mesmo. Agora eu tenho que dar a volta por cima e provar, primeiro para mim mesmo, que eu consigo. Isso é muito importante. É matar um leão todos os dias para dizer: não, não e não.
Amizades no futebol
Não tenho nenhum amigo jogador. Fiquei muito decepcionado com muitas pessoas que estavam por perto de mim porque eu estava jogando, estava no auge e tinha dinheiro. Eu pagava tudo, para mim a coisa material é importante, mas se a gente não tiver caráter, se a gente não tiver a paz, não adianta nada.
Em Porto Alegre, em casa
Me sinto como se os torcedores do Grêmio fossem a minha família. Tenho essa história conquistada que não pode ser apagada. Esse foi o principal motivo de vir para Porto Alegre, pelo carinho que eu precisava, me fortalece, me deixa bem eu sair nas ruas e ouvir: "Poxa, Jardel, quanto tempo a gente não ganha um título". A saída de Fortaleza para Porto Alegre foi muito mais importante para mim, para a minha saúde. Com certeza quero deixar uma nova história como treinador, ou apenas deixar uma imagem de que o Jardel está bem.
Jardel com camisa do Vila Nova (Foto: Reprodução)Jardel com camisa do Vila Nova, onde tenta recomeçar (Foto: Reprodução)
Caindo na real
É um mundo diferente o de jogador, é uma paixão mundial. Ainda mais em um país em que somos os melhores do mundo, você se sente o rei onde chega, em qualquer lugar você é conhecido. Eu acho que no Brasil o jogador tem mais moral, é mais conhecido do que presidente. Aí você cai na real, passa por uma depressão e não reage, para de jogar e tem que nascer de novo. Morre, e tem que nascer um novo homem.

Ilusão
Tem uma ilusão interna, e a pessoa se engana. Você tem tudo, mas quando perde, perde a confiança das pessoas, perde no material também, e todo mundo se afasta. Eu quero ver uma pessoa chegar para te ajudar com palavras. Isso é muito complexo. Deus me deu força para ter fé para mudar. Pois estou bem e podendo dar este testemunho para as pessoas, porque no meu nível, aonde eu cheguei e depois dei aquela caída, eu posso te dizer que fui homem para reagir, ser forte para admitir o meu problema.
Quando você para, cadê as televisões? Cadê os microfones? Cadê o público? Você está
sentado na arquibancada,
mas quer estar lá dentro
Jardel
'Cadê os microfones?'
Existe esse baque, essa morte. Eu acho que nós morremos duas vezes nesse mundo de jogador. Quando você para, cadê as televisões? Cadê os microfones? Cadê o público? Você está sentado na arquibancada, mas quer estar lá dentro. As pessoas já não te olham diferente e você tem que botar o pé no chão e dizer: parei de jogar. Agora eu vou cuidar é de mim. 
A queda e a volta por cima
Fica esse testemunho para vocês. Continua prevalecendo a minha fé diária. É o que eu posso dizer do fundo do meu coração. Isso só Deus me passa, essa paz, é só querer. É só querer, a gente consegue tudo. Eu não consegui chegar à Seleção, que era o meu sonho? Consegui ser fraco, mas também não consegui ser forte? Quando a pessoa chega ao fundo do poço financeiramente, emocionalmente, e não tem amigos, a pessoa não reage. Tem que ter fé. Sem dinheiro, sem a fama, as pessoas longe de você, é um caos. É a lei da vida, muitos falam: você vale o que você tem.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sizzurp, a droga de Bieber, já chegou ao Brasil

Mistura feita com xarope para tosse causa dependência e pode levar à morte por parada respiratória

Justin Bieber deixa o local onde estava detido em Miami após ser flagrado dirigindo embriagado
Justin Bieber deixa o local onde estava detido em Miami após ser flagrado dirigindo embriagado - Hector Gabino/Miami Herald/MCT
Preso na última quinta-feira em Miami Beach por dirigir sob efeito e álcool e drogas, o cantor Justin Bieber pode ser usuário de um entorpecente caseiro. Sites de celebridades como TMZ e Radar Online trazem relatos de que o ídolo teen consome drogas com frequência alarmante – em especial, uma mistura batizada de sizzurp. "Essa droga virou febre nos Estados Unidos e está afetando o Brasil. É um problema crescente na saúde pública”, afirma o psiquiatra Ivan Braun, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e especialista no tratamento de usuários de drogas. Um levantamento feito em 2005 mostrou que quase 2% dos brasileiros já haviam utilizado o xarope pelo menos uma vez na vida para fins recreacionais.
A droga é feita com xarope para tosse, refrigerante e balas dissolvidas, para melhorar o sabor. O tipo de xarope utilizado tem como principal princípio ativo a codeína – um derivado do ópio, como a morfina. O medicamento ainda contém anti-histamínicos como a prometazina, um antialérgico com efeito tranquilizante.
A mistura gera uma sensação de euforia e bem-estar e, assim como outros entorpecentes, pode causar dependência. "O usuário passa a necessitar de doses cada vez maiores, e quando fica sem a medicação tem síndrome de abstinência", diz Braun. "Outro problema é que, com frequência, há associação com outras drogas, o que aumenta chances de comportamentos de risco." Em doses elevadas, a bebida pode causar redução da respiração e levar à morte.

Saúde pública – Xarope à base de codeína é um medicamento vendido sob prescrição médica, indicado para pacientes com tosse grave. Quando utilizado com supervisão médica, não oferece riscos ao paciente. Em excesso, torna-se prejudicial.
Além dos xaropes para tosse, ansiolíticos, relaxantes musculares e medicamentos para dor – que contêm outros tipos de opioides – também são alvos de abusos. "Uma proposta interessante e muito discutida para inibir o abuso de drogas prescritas é misturar à formulação substâncias de gosto desagradável", diz o médico. O tratamento em caso de excessos geralmente não requer medicação, apenas terapia para estimular o fim do hábito. Em casos mais graves pode ser necessário o uso da clonidina, medicamento usado na desintoxicação por opioides.
Hip-hop e Rap – A origem do sizzurp está associada à cultura do hip-hop, nos Estados Unidos. Acredita-se que a droga tenha se difundido a partir do Texas, onde seu uso se tornou comum na década de 1990. Em 2008, o rapper americano Pimp C teve a morte atribuída a uma overdose de xarope contra tosse. Segundo relados, em 2013, o também rapper Lil Wayne foi hospitalizado pelo mesmo motivo. O cantor menciona a bebida em diversas composições

Legalizar as drogas

"A maioria dos usuários não vira dependente, faz uso recreativo. É preciso proteger um como liberdade individual e o segundo na perspectiva da saúde". Por Jean Wyllys              

 
José Cruz/ABr
Marcha da Maconha em Brasília
"Eu sou a favor da legalização das drogas, porque acho que a única maneira de enfrentar o narcotráfico e toda a violência decorrente dele é legalizar"
Nos últimos dias, veio à tona uma sentença do juiz Frederico Ernesto Cardoso Maciel, do Distrito Federal, que absolveu um homem que tinha sido detido pela polícia com 52 trouxas de maconha. Para o juiz, a proibição dessa droga é inconstitucional, já que a portaria do Ministério da Saúde que incluiu os princípios ativos da maconha na lista de entorpecentes ilícitos, deixando fora outras substâncias que também têm efeitos entorpecentes, carece de fundamentação técnica e científica — o que é verdade. O MP apelou e o caso será resolvido agora pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal em novo julgamento. "Soa incoerente o fato de outras substâncias entorpecentes, como o álcool e o tabaco, serem não só permitidas e vendidas, gerando milhões de lucro para os empresários dos ramos, mas consumidas e adoradas pela população. Isso demonstra que a proibição de outras substâncias entorpecentes recreativas, como o THC, são fruto de uma cultura atrasada e de uma política equivocada, e violam o princípio da igualdade, restringindo o direito de uma grande parte da população de utilizar outras substâncias", escreveu o juiz.
Ele merece ser parabenizado pela coragem, num país com governantes, parlamentares e agentes da justiça que calam a boca ou são cúmplices de uma política de guerra as drogas que só traz violência, preconceito, estigmatização e a morte de milhares de crianças e jovens pobres das favelas, além de interferir nas liberdades individuais.

O juiz deve saber que enfrentar a demagogia punitiva e a hipocrisia na questão das drogas é difícil. Na Câmara dos Deputados, eu enfrentei o projeto de lei de Osmar Terra (PMDB-RS) de "endurecimento" da política de drogas, que propunha piorar uma legislação que já é ruim. Contudo, infelizmente, só a bancada do PSOL militou contra. Entre outras aberrações, o que tem avançado nos últimos tempos no Brasil, além da violência que a "guerra às drogas" produz, é a internação compulsória de usuários, que significa um retrocesso na política antimanicomial brasileira e o aporte de dinheiro público em comunidades terapêuticas ligadas a instituições religiosas fundamentalistas que não contam com atendimento à saúde mental ou física, e, em alguns casos já registrados, submetem os pacientes a trabalho escravo. São pontos criticados oficialmente pelo TCU, Fiocruz, conselhos de psicologia e muitos outros órgãos, que não são ouvidos.
É preciso corrigir essas aberrações com urgência, que vão na contramão da revisão que outros países têm feito, substituindo a "guerra às drogas" por um tratamento na perspectiva da saúde pública e das liberdades individuais. No vizinho Uruguai, a maconha foi legalizada; na Argentina, a Corte Suprema declarou inconstitucional a criminalização do consumo de drogas e do cultivo para uso pessoal, e até nos EUA, o presidente Obama fez recentemente declarações bastante sensatas, reconhecendo que a criminalização não é uma boa política. Mas no Brasil é difícil e, quando tem boas iniciativas - que mesmo sem chegar ao fundo do problema significam um avanço importante - como o programa para os usuários de crack implementado pelo prefeito Fernando Haddad em São Paulo, o "Braços abertos", elas são desqualificadas por setores da política e da mídia que, com uma grande irresponsabilidade, só defendem a repressão.

Eu sou a favor da descriminalização do consumo e sou radicalmente a favor da legalização de todas as drogas, porque acho que a única maneira de enfrentar o narcotráfico e toda a violência decorrente dele é legalizar. Essa é, aliás, a posição do PSOL, que tem um grande acúmulo e muita pesquisa e trabalho sério e comprometido sobre o tema. Estamos preparados para dar esse debate.
Para isso, precisamos ser claros, porque a questão das drogas está cercada de falácias e preconceitos. Existe o usuário, que faz uso recreativo, e o dependente, que é outra situação. Mas como diz Eduardo Galeano, "a culpa não é da faca". A maioria dos usuários de drogas não vira dependente, mas apenas faz uso recreativo, por isso é necessário distinguir o uso do abuso, proteger o primeiro como liberdade individual e tratar do segundo na perspectiva da saúde, ajudando o dependente, como se faz com o alcoólatra ou com aquele que abusa do Lexotan ou de determinados analgésicos ou antidepressivos. Pensemos no álcool: o abuso dele traz mais problemas à sociedade que o próprio crack, enquanto seu uso recreativo não traz problema algum, é socialmente aceito, faz parte da cultura, da religião e é até mesmo incentivado. Quase toda a população consome álcool, mas nem toda a população é alcoólatra! Da mesma forma, os usuários recreativos de maconha, cocaína, êxtase ou qualquer outra droga têm de ter sua liberdade respeitada: se alguém tem o direito de encher a cara num bar ou em casa, também tem o direito de fumar um baseado! Você nunca fez? Isso está dentro da liberdade individual, e a pessoa tem de estar consciente dos danos que aquela droga pode causar.
O cigarro (de tabaco) é a droga que mais mata e ninguém vai preso por isso! A gente pode criar uma política de prevenção aos males do fumo porque o fumo é legal, quem fuma hoje sabe que o cigarro pode provocar câncer de pulmão a longo ou a médio prazo, mas a pessoa tem o direito de fumar se ela quiser. Da mesma maneira, a gente só tem a lei seca e políticas para conter os danos do uso do álcool porque o álcool é regulamentado. E ambas as substâncias são produzidas de acordo com determinadas regras, com informação explícita sobre o seu conteúdo e princípios ativos e mecanismos de controle estatal que devem garantir a qualidade do produto, e são comercializadas dentro do circuito legal, com restrições sobre a quem, quando e onde podem ser vendidas. O mesmo deveria acontecer com a maconha e outras drogas atualmente ilícitas.
Por outro lado, as políticas de criminalização e combate, em todo o mundo, apenas reforçaram o poder das redes de crime organizado, já que estas se valem da corrupção do agente público para atuar livremente, com grande lucro. As drogas que hoje são ilegais, na prática, têm sua comercialização regulada pelo Estado de maneira informal, através das polícias e outros agentes do sistema. Falamos em uma economia paralela que seis anos atrás se estimava movimentar mais de 800 bilhões de dólares. Tudo isto apesar da repressão patrocinada por todos os países, principalmente os EUA. Foi nesse país que, entre 1920 e 1933, o fortalecimento da máfia se deu exatamente com a proibição do consumo e da venda do álcool, que não trouxe qualquer benefício para a população.
Há ainda toda uma série de consequências sociais das políticas atuais, que parecem ser ignoradas pela população mais abastada — cuja maior preocupação é a violência do usuário do crack e o fato de o filho ser abordado pelo traficante na saída do colégio —, e que influem diretamente na vida das comunidades mais pobres, que vivem à margem do Estado, como forma de higienização social. A forma como as crianças e adolescentes das comunidades são vulnerabilizados ao crime organizado pela ausência de interesse do Estado em lhes dar as mesmas condições de humanização e de vida com pensamento jamais será corrigida com políticas de repressão ao consumo de drogas! Muito pelo contrário, só piora!
Por último, a criminalização não produz qualquer benefício à sociedade nem sequer naquilo que implicitamente promete. Alguns ingenuamente ainda acreditam que a simples proibição impede que alguém faça uso de alguma substância, mas está provado que isso não acontece. O consumo de drogas não se reduziu pela criminalização, mas aconteceu o contrário. E o que temos, então, é crime organizado, violência, corrupção policial, insegurança, milhares de mortes, criminalização de jovens das favelas e das periferias, presídios lotados onde esses jovens têm seu futuro aniquilado e drogas de má qualidade vendidas de maneira informal, sem controle, a pessoas de qualquer idade, em qualquer sítio e sem pagar impostos. Tudo errado!
O caminho é outro. Legalizar o consumo é tirar o usuário recreativo da inútil marginalidade e estigmatização. Regular a venda e permitir a esse usuário que produza o suficiente para seu próprio consumo é reduzir a influência do traficante e, portanto, reduzir a violência, a criminalidade, a marginalidade e a morte.
O Brasil precisa mudar o paradigma. Hoje o País é um importante corredor do tráfico internacional, as redes de tráfico operam livremente no país, beneficiadas pela corrupção policial. Nas comunidades carentes, as crianças, sem educação e sem perspectiva, veem no tráfico uma forma de mobilidade social. E quem é preso é sempre aquele jovem que atua no varejo, nunca o grande traficante que alimenta a corrupção e a violência e leva o dinheiro para os paraísos fiscais. Ou seja, as políticas atuais jamais surtirão efeito, como hoje não surtem. Se avaliarmos a eficiência dessas políticas em relação ao dinheiro empregado nelas e os danos terríveis que causaram, o erro fica evidente.
O problema, como quase sempre, é a falta de coragem para bancar debates difíceis como esse. O mais fácil, sempre, é defender o status quo, se filiar aos discursos mais demagógicos ou se fazer de bobo. Mas a nossa função, como referentes políticos, é assumir riscos, inclusive eleitorais, para defender as ideias em que acreditamos e promover os debates que achamos sinceramente que o país precisa. E esse é um deles. Quanto mais tempo demorarmos, mais gente vai morrer inutilmente e mais jovens vão ter seu futuro trancado.

Celebridades que sucumbem à overdose por drogas e remédios revelam a fragilidade diante do vício

Médicos, jornalistas, atores e cantores são mais suscetíveis a sofrer com o vício em drogas e remédios

Celebridades que sucumbem à overdose por drogas e remédios revelam a fragilidade diante do vício Paris Filmes/Divulgação
Philip Seymour Hoffmann contracena com Joaquin Phoenix no filme "The Master", de 2012. O ator morreu no último dia 2, aos 46 anos Foto: Paris Filmes / Divulgação
 
No auge do sucesso, com uma carreira brilhante pela frente, o sujeito aparece morto no seu apartamento ou em um quarto de hotel. A causa é quase sempre a mesma: overdose de drogas ou medicamentos. A história não é nova e nem rara, mas cada vez que uma notícia dessas toma conta das capas das revistas e sites mundo afora, o fantasma do vício em entorpecentes volta às manchetes, suscitando o assunto na sociedade. O último personagem a encenar essa triste cantilena foi Philip Seymour Hoffmann, um dos atores mais talentosos de Hollywood. Encontrado morto em seu apartamento no último dia 2, possivelmente vítima de overdose de heroína (estava com uma seringa fincada no braço), ele é a mais recente prova de que fama e sucesso podem significar nada diante do irresistível apelo das drogas.

Para a psiquiatra e coordenadora do Departamento de Dependência Química da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Fernanda Ramos, o caso de Hoffmann ilustra uma estatística devastadora: atores, cantores, jornalistas e profissionais de saúde - especialmente médicos - são mais suscetíveis a sofrer com o vício em drogas e remédios.

— A morte de pessoas famosas chama a atenção para um número assustador. De acordo com a ONU, 200 mil pessoas morreram de overdose no mundo em 2013 — alerta.

A alta carga de estresse a que estão submetidos esses indivíduos é o que justifica a estatística. No caso dos artistas, também há uma glamourização das drogas. Vide o recente caso do cantor teen Justin Bieber, que sorriu orgulhoso ao ser preso depois de dirigir sob o efeito de álcool e remédios controlados.

— Drogas e medicamentos podem ter efeito estimulante no começo, o que pode favorecer a carreira. Mas é bom lembrar que isso é efêmero, é uma ilusão. Essas substâncias cobram seu preço — ressalta Fernanda.

As carreiras longevas de artistas "certinhos" ajudam a sustentar a afirmação. Paul McCartney, apesar de admitir ter experimentado todas as drogas com os Beatles, abraçou há muito um estilo de vida saudável, sem extravagâncias de qualquer natureza. Hoje, aos 71 anos, é o artista mais bem pago do showbizz. Angelina Jolie, que no início da carreira fazia o tipo bad girl, adepta do sexo livre e do uso de drogas, viu a própria imagem ser catapultada ao casar-se com Brad Pitt e assumir o lado mãe zelosa. O primeiro passo para fugir da armadilha é a prevenção. Resistir é sempre mais fácil do que abandonar o vício, diz Fernanda. Contar com a adesão do usuário ao tratamento é o principal fator de sucesso em casos de reabilitação.

O exemplo de Philip Seymour Hoffmann, que internou-se em 2013 para tentar abandonar o vício, prova que esse é o papel mais difícil de representar. Mesmo para um dos atores mais geniais de todos os tempos.


Seymour Hoffman escreveu sobre drogas e "demônios" interiores em diários

Philip Seymour Hoffman

O ator Philip Seymour Hoffman em premiação em Nova York (10/01/2006) Leia mais AP
Philip Seymour Hoffman deixou anotações em dois diários privados que falam de seus "demônios" interiores através do abuso de drogas e álcool e que mostravam confusas reflexões aparentemente escritas sob efeitos de heroína, divulgou nesta terça-feira (11) a emissora "NBC".

A polícia encontrou dois pequenos diários escritos à mão pelo ator, que morreu há nove dias, onde falava de sua luta contra a dependência química, suas reuniões nos Narcóticos Anônimos na parte baixa de Manhattan, mas que também tinha algumas partes em que começava a escrever de maneira clara e depois se transformavam em textos ininteligíveis.
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RIP, Philip Seymour Hoffman: Cinco casos em que ele é melhor que o filme5 fotos

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Em "Twister" (1996), do diretor Jan de Bont, Hoffman vive o carismático caçador de tornados Dustin "Dusty" Davis Reprodução
"É um fluxo de pensamento e é difícil de seguir", explicou uma fonte à "NBC". "Em uma linha se refere a 'Frank, o que sempre deve dinheiro' e na mesma página escreve sobre uma menina de 15 anos do Texas", prosseguiu.

No entanto, para a investigação, embora haja nos diários referências à compra de drogas, a polícia indicou que as pistas que conduziram à detenção de quatro pessoas foram resultado de testemunhos surgidos por causa da midiática morte ator de "Magnólia".

Dos quatro detidos, só um deles, Robert Vineberg, enfrenta acusações de posse de heroína com intenção de ser vendida, enquanto os outros três se declararam inocentes.

Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento do West Village de Nova York no domingo, 2 de fevereiro, vítima de uma supostas overdose de heroína. Tinha 46 anos e sua inesperada morte comoveu toda a classe artística.

Na casa de Hoffman foram encontrados 50 papelotes de heroína. Hoffman ficou limpo por 23 anos. Além dos diários, a polícia encontrou vários livros de Truman Capote no apartamento, cujo filme biográfico, "Capote", deu a ele o Oscar de melhor ator em 2005.
O funeral do ator foi realizado na última sexta (7), na igreja católica Santo Inácio de Loyola, em Nova York, com presença apenas de familiares e amigos.

Família e amigos se despedem de Philip Seymour Hoffman em Nova York

 Corpo de Philip Seymour Hoffman chega ao funeral privado na Igreja San Ignacio Leia mais EFE/Andrew Gombert