sábado, 13 de outubro de 2012

Câncer de pâncreas atinge dez anos mais cedo pessoas que bebem ou fumam excessivamente


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Revista Veja

Resultado de novo estudo pode ajudar os médicos a entenderem quando um rastreamento da doença deve começar a ser feito
O tabagismo e o alcoolismo são conhecidos como importantes fatores de risco para o câncer de pâncreas, tipo de câncer que é mais comum após os 50 anos de idade.
Agora, um estudo feito na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostra que os hábitos, não só elevam as chances do surgimento da doença, como fazem com que ela apareça mais cedo. A pesquisa foi descrita em um artigo publicado nesta semana no periódico The American Journal of Gastroenterology.
Após acompanharem 811 pacientes com câncer de pâncreas, os pesquisadores descobriram que os participantes que consumiam muita bebida alcoólica ou fumavam excessivamente foram diagnosticados, em média, aos 61 e 62 anos, respectivamente. Ou seja, dez anos antes em relação aos pacientes que não tinham nenhum dos dois hábitos.
O estudo determina que fumar muito equivale ao consumo de mais de um maço de cigarros por dia; e que beber excessivamente é o mesmo que consumir no mínimo três doses de qualquer bebida alcoólica por dia.
Segundo os autores do estudo, esses resultados podem ajudar os médicos a compreender qual é a melhor idade para que uma triagem da doença comece a ser feita quando programas de rastreamento estiverem disponíveis. Michelle Anderson, coordenadora da pesquisa, explica que detectar o câncer de pâncreas logo no inicio é algo difícil, mas que contribui com as taxas de sobrevida da condição, que atualmente é muito baixa, cinco anos após o diagnóstico da doença, apenas 6% dos pacientes continuam vivos.

Saiba mais

CÂNCER DE PÂNCREAS
Esse tipo de câncer é mais comum após os 50 anos de idade, e é quase duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres - e de duas a três vezes mais frequente entre fumantes. Entre os sintomas do câncer de pâncreas estão, de maneira mais comum, a icterícia (olhos e pele ficam amarelados), que pode levar à coceira pelo corpo e a casos de infecções; vômitos; perda de peso sem causa aparente; falta de apetite; dores de cabeça; sudorese; mal-estar; e uma dor abdominal que pode ser irradiada para as costas. Segundo o Inca, no Brasil, o câncer é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por câncer

Álcool, uma droga democrática

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Jornal Diário de S. Paulo

 Ontem foi o Lobby das Indústrias de cigarros que tinham um grande poder – hoje é o das indústrias de bebidas alcoólicas. Estão fazendo exatamente a mesma coisa, afinal muitos são os interessados.
Fumar faz mal? Sim, evidente! Para o tabagista.
Hoje, consumir o álcool, estando em uma roda de amigos e lindas mulheres, é sinônimo de ter uma saudável vida social. Isso é o que esse mesmo Governo e Lobistas transmitem e conseguem alimentar na grande maioria da população.
Quando as conseqüências desastrosas do vício de beber, seja diretamente através do alcoolismo ou mesmo violência no trânsito pesar nos cofres da União, lotar ainda mais hospitais e causar mais caos no ineficiente Sistema de Saúde, esse mesmo Governo irá fazer sérias restrições à bebida, mas alegando que se preocupa com a saúde de seu povo. E iremos acreditar. Demagogias e falta de respeito com o cidadão.
E pior: a maioria da população só se conscientiza do problema quando a bebida bate a porta de sua casa, destruindo a família.
Tanto o álcool quanto a droga são devastadores, que atingem não só quem a usa, mas também as pessoas que estão ao redor do usuário e que se preocupam com ele.
Outro exemplo de incoerência: Por ser um jogo de interesses que envolvem muito dinheiro, estão associadas a eventos esportivos, como a Copa do Mundo em 2014.
Esporte e álcool? Onde está a coerência disso tudo?

Eduardo Andreassi Jornalista/Fotojornalista/Fotógrafo

A danada pinga – dependência é prazer ou compulsão?


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Jornal O Estado de S. Paulo - Danilel Martins de Barros

Quem conversa com dependentes químicos frequentemente ouve a seguinte explicação para sua incapacidade de conter o impulso de usar a droga: “É um demônio que toma conta de mim, parece que eu não sou eu. Isso é coisa do capeta”.
Se desde os primórdios da história os homens põe a culpa pelas suas bobagens no além – a Ilíada registra que Agamenon sequestra a amante de Aquiles e depois diz que o fez por ter sido possuído por espíritos, isso ocorre porque há situações em que se experimenta uma verdadeira perda de controle. O nível de desconexão entre as intenções e os atos se torna tão intenso que tem-se a sensação de que alguma força externa está no comando.
O caso das drogas é característico. Inicialmente usadas por trazerem sensações de prazer, progressivamente esse bem estar se perde, e em mais ou menos tempo a pessoa se vê compelida a usar a droga não mas para se sentir bem, mas apenas para deixar de se sentir mal. Mais curioso ainda é o caso de alguns psicotrópicos sintéticos que não dão prazer algum, mas levam os sujeitos a  repetir seu uso de forma contínua, tornando-se dependentes.
O querer e o gostar, tem-se descoberto, são coisas diferentes, não só do ponto de vista psicológico, mas em suas próprias raízes cerebrais. Há muito se sabe que o neurotransmissor dopamina é liberado em atividades prazerosas, levando as pessoas a repetirem-nas alimentação, sexo e até mesmo solução de problemas trazem um sensação boa, e tendem a ser repetidas. Nem é necessário explicar que o ganho evolutivo por trás disso é evidente, pois nossos antepassados que gostavam mais de comer, de se reproduzir e de resolver os desafios da sobrevivência deixaram mais descendentes. Mais recentemente, contudo, cientistas vêm mostrando que a dopamina não marca o prazer em si, mas a importância daquele comportamento, levando a pessoa a repeti-lo. Por isso, drogas que levam à liberação artificial da dopamina geram a compulsão por seu uso – independente da sensação que produzam. Inversamente, experimentos com ratos revelaram que mesmo com bloqueio artificial da ação da dopamina eles conseguem ter prazer em substâncias (como os cientistas sabem que eles gostaram do que provaram? Contando o número de vezes que eles lambiam os beiços, um marcador de prazer que está presente até mesmo em nós, humanos).
Essa compulsão sem prazer, desmascarada agora pelos cientistas, já fora descrita por C. S. Lewis, coincidentemente (ou não) no livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, no qual narra as lições de um demônio experiente a seu jovem sobrinho. Numa das referências que faz ao prazer, o velho diabo ensina que a forma de atazanar os humanos é gerar “Um aumento considerável no desejo pela obtenção cada vez menor do prazer relacionado é a fórmula! Isto dá mais resultado, e é portanto o melhor estilo a adotarmos. Conseguir a alma do homem dando a ele NADA em troca é o que realmente aquece o coração de Nosso Pai Lá de Baixo”.
A neurociência vem mostrar que o desespero dos dependentes químicos pode até não ser “coisa do demo”. Mas ouvindo o relato deles e lendo essa descrição do C. S. Lewis, temos de convir que a armadilha da dependência parece, por assim dizer, diabólica.

O Brasil no pódio das drogas ilícitas

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Ribeirão Preto Online

A realidade brasileira, no que tange ao consumo de drogas ilícitas, é muito, muito preocupante, uma vez que, ao contrário do que ocorre no mundo, cresce assustadoramente o número de usuários. Somos, hoje, o primeiro maior consumidor de crack e o segundo em cocaína do Planeta.
Cumpre esclarecer, de início, que a cocaína se constitui num estimulante do sistema nervoso central, extraída das folhas da planta Erythroxylon coca1, que pode ser consumida sob a forma de cloridrato de cocaína - um sal hidrossolúvel - de uso aspirado ou injetado. Há, ainda, as apresentações alcalinas, voláteis a baixas temperaturas, que podem ser fumadas em “cachimbos”. É o caso do crack, da merla e da pasta básica da cocaína.
O crack, por sua vez, é tido como uma forma potente de uso da cocaína, por inalação do vapor expedido com a queima de pedras, manufaturadas a partir do cozimento da pasta de cocaína combinada com bicarbonato de sódio que, ao ser queimado, produz um ruído em forma de estado, daí derivando seu nome.
De acordo com apurações realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (INPAD), constatou-se essa triste realidade de que o Brasil detém no mercado mundial - o primeiro lugar no consumo de crack e a segunda posição no consumo de cocaína. Os dados foram levantados por um grupo de estudos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e informados no mês de setembro de 2012. Foram ouvidos aproximadamente 4,6 mil pessoas com faixa etária superior a 14 anos em 149 municípios do país.
Conforme aponta o relatório, 4% da população adulta brasileira, correspondendo a seis milhões de pessoas, já experimentaram cocaína alguma vez na vida. Entre os adolescentes, jovens de 14 a 18 anos, 44 mil admitiram já ter feito uso da droga, o equivalente a 3% desse público.
Ainda consoante a esse estudo, 27% dos usuários dos dois tipos de cocaína (em pó - de uso nasal, e em pedra – fumada) consumiram a droga todos os dias ou, ao menos, duas vezes por semana, no ano passado. Quase metade (48%) foi identificada como dependente químico, mas apenas 30% deles disseram ter a intenção de interromper o uso.
Outro ponto preocupante abordado no relatório foi a idade de iniciação, o qual aponta que quase a metade (45%) experimentou cocaína antes dos 18 anos de idade. Além da iniciação precoce, o acesso à droga também é facilitado, pois 78% deles consideraram fácil encontrar o produto.
A pesquisa também comparou o consumo de cocaína nas regiões brasileiras em 2011. No Sudeste está concentrado o maior número de usuário de drogas, 46% deles. No Nordeste estão 27%, no Norte 10%, no Centro Oeste 10% e, no Sul, 7%.
No que tange ao crack, tida como droga de pobres, porque custa pouco, ele vem sendo consumido, cada vez mais, por pessoas da classe média. A constatação é do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), entidade ligada à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Droga de altíssimo poder destrutivo, ocasiona danos graves aos usuários.
Esse elevadíssimo consumo de drogas está retratado no cristalino avanço da violência e da criminalidade no país, objeto de muitos estudos e enfrentamentos por meio de políticas públicas, preventivas e repressivas, do que são exemplos as operações especiais voltadas a desordenar a rede de narcotráfico e àquelas de enfrentamento do tráfico do crack em áreas de maior vulnerabilidade. A evidência, os assustadores números retratados na recente pesquisa demonstram a necessidade de maior dedicação ao tema.

Lizete Andreis Sebben