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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Mensagens negativas não convencem dependentes químicos
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
A MEMÓRIA DO PRAZER E RECAÍDAS

No geral o PRAZER pode ser simplesmente definido como
uma sensação de “bem estar”. O prazer é uma resposta do organismo ou da
mente indicando que nossas ações estão sendo benéficas ao nosso corpo.
Falando em dependência química já instaurada, temos a questão do
mecanismo psicológico de buscar a droga e a necessidade biológica que se
cria no organismo devido à necessidade do prazer.
Os circuitos de neurônios encarregados de reconhecer sensações
agradáveis ao organismo se dirigirem para uma área do cérebro que
funciona como um “CENTRO DE RECOMPENSA”.
Quando os neurônios localizados nesse centro são ativados
repetidamente por uma substância química ou por uma sensação de prazer
induzida por determinado comportamento, eles vão ativar os circuitos que
se conduzem para o “CENTRO DE BUSCA”, que é uma área do cérebro capaz
de induzir alterações comportamentais que levam à repetição do prazer
obtido anteriormente.
Este tipo de mecanismo funciona não somente para o uso de drogas, mas
para qualquer outro tipo de prazer (alimentação, sexo, jogo, compras) e
neste sentido esta estrutura de funcionamento cerebral foi criada para
desempenhar a função de preservação da espécie.
No entanto, no caso das drogas (e de qualquer outra compulsão) há uma
interferência (não natural) neste sistema de recompensa, o que causa
uma espécie de “CURTO CIRCUITO”, as drogas acabam causando uma ilusão
química de prazer, que induz a pessoa a repetir seu uso compulsivamente.
Com a repetição do consumo, perdem o significado todas as fontes
naturais de prazer e só interessa aquele imediato propiciado pela droga,
mesmo que isso comprometa e ameace a vida do usuário. É como se as
drogas corrompessem completamente o ESQUEMA CEREBRAL DE RECOMPENSA.
Neste sentido as recompensas servem para manter a frequência
excessiva de uso, a sua intensidade e duração, apesar das consequências
negativas graves e de longa duração.
Para quem está de fora deste processo fica difícil entender por que o
usuário de cocaína ou de crack, já com a saúde deteriorada e tendo
passado por várias perdas, não consiga abandonar a droga. Tal
comportamento apenas reflete uma disfunção do cérebro. O foco do
dependente químico se volta para o prazer imediato propiciado pelo uso
da droga, fazendo com que percam significado todas as outras fontes de
prazer.
A dependência é, então, o fruto do mecanismo psicológico que leva o
indivíduo a buscar o prazer e impedir o desprazer, e fruto das
alterações cerebrais que a droga provoca. Essa influência entre aspectos
psicológicos e efeito farmacológico acaba determinando o perfil dos
sintomas de abstinência de cada pessoa. A compulsão é menor naquelas que
toleram a abstinência um pouco mais, e maior nas que a inquietação é
intensa diante do menor sinal da síndrome de abstinência.
Para entendermos um pouco o mecanismo da abstinência e de recaída
também temos que entender como funciona a memória do prazer, associada
às questões comportamentais.
Nossa memória costuma ser analisada em dois grupos: aquelas das quais temos consciência e as que geralmente estão esquecidas.
Assim sendo, de forma consciente, um usuário de cocaína ou um jogador
de cartas pode lembrar-se da sensação de euforia proporcionada pela
recompensa obtida e ir atrás da repetição dela.
Isso explica por que as pessoas jogam ou cheiram cocaína, mas não
justifica a dependência química ou comportamental que desenvolvem pelo
resto da vida e que persiste, mesmo quando o prazer deixou de existir.
Este é o caso, por exemplo, do dependente de cocaína que desenvolve
delírios persecutórios toda vez que usa a droga, porém não consegue
deixar de usar, só aciona a memória do prazer e não a do desconforto.
Nas memórias “não conscientes” armazenadas em centros cerebrais
especializados, como o hipocampo, está a explicação do lado compulsivo
do comportamento que conduz às recaídas.
Ou seja, isto explica porque o usuário crônico insiste na busca de
uma recompensa que não mais encontrará. Por que fraqueja depois de ter
jurado parar? Por que alguém cheira cocaína mesmo quando vive o terror
das alucinações persecutórias toda vez que o faz?
A resposta estaria nos circuitos de neurônios responsáveis pela motivação, memória e aprendizado.
Alguns estudos mostram que a memória e o processo de aprendizado, bem
como a exposição do cérebro às drogas psicoativas, modificam a
arquitetura das sinapses (o espaço existente entre dois neurônios
através do qual o estímulo é modulado ao passar), dando início a uma
cadeia de eventos moleculares capazes de alterar o comportamento
individual por muito tempo.
Esse mecanismo comum permite entender por que a “fissura” associada à
abstinência costuma ser disparada por memórias ligadas ao consumo da
droga.
Conscientemente, o usuário pode decidir tomar outra dose ao recordar a
euforia ou a felicidade sentida anteriormente. Outros estímulos podem
causar efeito semelhante: a visão do cachimbo de crack, o tilintar do
gelo no copo, o esconderijo para fumar maconha. Mas existem lembranças
mais abstratas (um cheiro, uma música, um fato, uma luminosidade) que
podem induzir à procura da droga na ausência de “percepção consciente”.
E no processo de crise abstinência pode haver diversos sintomas:
crises de cólicas intestinais, náuseas e palpitação, o que evidenciam
que muitas recaídas estão associadas à ausência de “memória consciente”.
Isto está ligado a fantasias que o próprio cérebro cria sobre o uso
futuro, que podem ser influenciadas pelas lembranças dos efeitos
positivos e que pode ser uma força motivadora para reiniciar o uso da
substância.
A busca do prazer é uma característica do ser humano. No caso das
drogas, porém, ao querer superar a própria biologia por um artifício
químico, ele acaba se destruindo. O desejo de intensificar o prazer ao
máximo empurra o homem para um abismo, para uma batalha complexa de ser
vencida.
Em qualquer tratamento para dependência química é necessário que haja
um plano de prevenção à recaídas que ajude o indivíduo a ter treinar as
habilidades necessárias para suprir estas dificuldades.
Educar o dependente químico em recuperação sobre o processo de caída e
recaída ajudam, pois ele irá experimentar múltiplas tentativas de parar
até atingir estabilidade na mudança de comportamento que almeja.
Este processo ajuda a mudar o comportamento de dependência e a
quebrar o vínculo entre busca do prazer e o alívio (ainda que ilusório)
do sofrimento obtido com álcool e outras drogas.
O Plano de Prevenção da Recaída (PPR)
é um programa de psicoterapia e tratamento que se baseia na capacidade
individual da modificação de comportamentos aditivos e visa
conscientizar o dependente químico para antecipar, prevenir, modificar,
enfrentar, e lidar com situações que o coloque em risco de recaída,
situações que o faça voltar a consumir álcool ou outras drogas.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Cientistas acreditam ter descoberto uma variação de um gene que incentiva o consumo de álcool
Cientistas acreditam ter descoberto uma variação de um gene que incentiva o consumo exagerado de álcool em algumas pessoas.
O gene, conhecido como RASGRF-2, eleva o nível de substâncias químicas presentes no cérebro associadas à sensação de felicidade e acionadas com a ingestão de bebidas alcoólicas, informou a revista científica PNAS.
A equipe de pesquisadores, formada por especialistas da Universidade Kings College, de Londres, descobriu que animais que não possuíam a variação do gene tinham menos "desejo" por álcool do que aqueles que apresentavam tal alteração.
O estudo também analisou exames de ressonância magnética dos cérebros de 663 adolescentes do sexo masculino.
O mapeamento revelou que em portadores da versão do gene associada à "bebedeira", todos com 14 anos de idade, havia uma atividade maior em uma parte do cérebro chamada estriado ventral, conhecida por liberar dopamina, substância associada à sensação de prazer.
Quando os pesquisadores questionaram os adolescentes sobre seus hábitos de consumo de álcool dois anos depois, descobriram que aqueles que tinham a variação do gene RASGRF-2 bebiam mais frequentemente.
Contudo, o responsável pelo estudo, Gunter Schumann, explicou que ainda não há provas contundentes de que o gene, sozinho, provocaria a compulsão alcoólica, uma vez que outros fatores ambientais e genéticos também estão envolvidos.
Ele ressaltou, por outro lado, que a descoberta é importante porque joga luz sobre os motivos pelos quais algumas pessoas tendem a ser mais vulneráveis ao álcool do que outras.
"Nosso estudo indica que talvez este gene regule a sensação de bem estar que o álcool oferece para determinados indivíduos", explicou.
"As pessoas buscam situações que provoquem tal sensação de "recompensa" e deixem-nas felizes. Portanto, se o seu cérebro for condicionado a atingir tal estágio por meio do álcool, é provável que sempre procure essa estratégia a fim de alcançar tal meta".
"Agora nós entendemos a cadeia da ação: como os genes moldam a função em nossos cérebros e como que, em contrapartida, isso afeta o comportamento humano".
"Nós descobrimos que o gene RASGRF-2 tem um papel crucial em controlar como o álcool estimula o cérebro a liberar dopamina e, em seguida, ativa a sensação de recompensa".
"Portanto, para as pessoas que têm a variação genética do gene RASGRF-2, o álcool lhes proporciona uma maior sensação de recompensa, levando-as a se tornar beberrões".
Schumann reiterou, entretanto, que mais provas são necessárias para comprovar sua teoria. Ele alertou que o estudo analisou apenas adolescentes do sexo masculino e de uma determinada idade, o que dificultaria estabelecer tendências de consumo de bebidas alcoólicas ao longo prazo.
Ele disse que, no futuro, pode ser possível realizar testes genéticos para ajudar a prever quais pessoas estão mais propensas ao consumo excessivo de álcool.
As descobertas também abririam caminho a novas drogas que bloqueiam o efeito de recompensa que algumas pessoas têm após ingerir bebida alcoólica.
Por outro lado, Dominique Florin, da entidade britânica Medical Council on Alcohol, faz um alerta.
"É provável que haja um componente genético relacionado ao consumo exagerado de álcool, mas isso não quer dizer que se você tiver o gene, você não pode beber, enquanto se você não o tiver, você pode beber o quanto quiser".- Fonte: BBC BRASIL
Estudo mostra eficácia do baclofeno para o tratamento do alcoolismo
- Um estudo dirigido por um médico francês de 2008 a 2010, publicado nesta semana na revista Frontiers in Psychiatry, mostra a eficácia do baclofeno no tratamento a longo prazo do alcoolismo.
Até o momento, a eficácia desta molécula, inicialmente prescrita na neurologia, mas cada vez mais utilizada no tratamento do alcoolismo, tinha sido testada apenas em curto e médio prazo, até um ano após o início do tratamento.
O novo estudo, liderado pelo Dr. Renaud de Beaurepaire (Groupe Hospitalier Paul-Giraud em Villejuif, perto de Paris), focou em 100 pacientes, dependentes de álcool e resistente aos tratamentos convencionais. Eles foram tratados com doses crescentes de baclofeno e sem limite superior.
Os resultados mostram que a percentagem de pacientes que se tornou totalmente abstinente ou que passou a ter um consumo normal, segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), foi de aproximadamente 50% em todas as avaliações realizadas após três meses, seis meses, um ano e dois anos.
Um número de pacientes também conseguiu diminuir significativamente o seu consumo de álcool, mas sem ainda ter total controle, e passaram a se enquadrar na categoria de pacientes com "risco moderado", de acordo com padrões da OMS.
"O número total de pacientes que melhorou significativamente pelo tratamento foi de 84% em três meses, 70% em seis meses, 63% em um ano e 62% em dois anos", indica o estudo.
O dr. de Beaurepaire é um dos primeiros a receitar altas doses de baclofeno na França e é também um pesquisador de um grande estudo nacional, cujos resultados serão publicados em 2014.
"Esta é a primeira vez que acompanhamos por dois anos com resultados igualmente bons", afirmou à AFP o professor Philippe Jaury (Université Paris-Descartes).
O Baclofeno não é um produto milagroso, apresenta falhas na sua utilização, principalmente relacionadas com a intolerância de determinados efeitos secundários (fadiga, sonolência, etc.), o acompanhamento inadequado do tratamento e a falta de motivação, enumera o Dr. de Beaurepaire.
O Baclofeno é uma droga antiga, originalmente prescrita pela neurologia, para o tratamento de doenças como a esclerose múltipla e paralisia, mas cada vez mais usado na França no tratamento de dependência de álcool. - Fonte: Uol Ciência e Saúde
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